Os cálculos nas glândulas salivares, também conhecidos como sialolitíase, representam uma alteração relativamente frequente na prática clínica e podem ser identificados, muitas vezes, a partir de exames de imagem solicitados pelo cirurgião-dentista.
O reconhecimento precoce dessa condição é fundamental para evitar complicações inflamatórias e infecciosas, além de preservar a função glandular.
Este artigo apresenta uma abordagem técnica, com foco em cálculos nas glândulas salivares, seus sintomas, diagnóstico por radiografia odontológica e possibilidades de tratamento, direcionado a profissionais da Odontologia.
A seguir, saiba mais!
O que são cálculos nas glândulas salivares?
Os cálculos nas glândulas salivares são estruturas mineralizadas que se formam no interior das glândulas salivares maiores ou em seus ductos excretores.
Essas formações resultam da deposição progressiva de sais de cálcio, principalmente fosfato e carbonato de cálcio, sobre uma matriz orgânica composta por mucina, células descamadas e microrganismos.
Entre as glândulas salivares, a submandibular é a mais acometida, concentrando a maioria dos casos de cálculos nas glândulas salivares.
Esse padrão está relacionado ao fluxo salivar mais lento, à maior viscosidade da saliva e ao trajeto anatômico ascendente do ducto de Wharton.
A glândula parótida aparece como a segunda mais afetada, enquanto as glândulas sublinguais e menores são menos envolvidas.
Como se formam os cálculos nas glândulas salivares?
A formação dos cálculos nas glândulas salivares é um processo multifatorial. A estase salivar desempenha papel central, favorecendo a precipitação de minerais.
Alterações no pH da saliva, aumento da concentração de cálcio, desidratação crônica e processos inflamatórios recorrentes da glândula contribuem para o desenvolvimento da sialolitíase.
O uso contínuo de medicamentos que reduzem o fluxo salivar, como anticolinérgicos, antidepressivos e anti-hipertensivos, também está associado ao aumento do risco de cálculos nas glândulas salivares.
Na prática odontológica, infecções bucais crônicas e redução do estímulo mastigatório podem atuar como fatores agravantes.
Sintomas dos cálculos nas glândulas salivares
Os sintomas dos cálculos nas glândulas salivares variam conforme o tamanho, a localização e o grau de obstrução do ducto.
O sinal clínico mais característico é a dor associada ao aumento de volume da glândula afetada, especialmente durante as refeições, quando ocorre maior estímulo à secreção salivar.
Outros sintomas que devem ser observados são:
- Edema firme e localizado na região submandibular ou parotídea;
- Sensação de pressão ou dor irradiada;
- Redução do fluxo salivar no ducto acometido;
- Episódios recorrentes de sialadenite;
- Em casos avançados, sinais infecciosos como rubor e aumento de temperatura local.
Lembre-se também que pacientes com cálculos nas glândulas salivares de evolução crônica podem apresentar sintomas discretos ou apenas histórico de inflamações repetidas.
Diagnóstico dos cálculos nas glândulas salivares por radiografia odontológica
O diagnóstico dos cálculos nas glândulas salivares baseia-se na associação entre achados clínicos e exames de imagem.
A radiografia odontológica é, na maioria das vezes, o primeiro recurso diagnóstico disponível ao cirurgião-dentista.
Entre os principais exames que podem ser solicitados estão:
Radiografia panorâmica
A radiografia panorâmica é amplamente utilizada na investigação de cálculos em glândulas salivares, principalmente na glândula submandibular.
Os sialólitos costumam se apresentar como imagens radiopacas bem delimitadas, localizadas próximas ao assoalho bucal ou à região do ângulo mandibular.
Apesar de sua utilidade, a radiografia panorâmica pode não identificar cálculos pouco mineralizados ou de pequenas dimensões.
Radiografia oclusal e periapical
A radiografia oclusal mandibular é especialmente indicada para avaliar cálculos nas glândulas salivares localizados no ducto de Wharton, permitindo melhor visualização da extensão e posição da calcificação.
Já as radiografias periapicais podem auxiliar na diferenciação entre cálculos salivares e alterações odontogênicas.
Limitações da radiografia convencional
É importante que você siba que nem todos os cálculos nas glândulas salivares são radiopacos.
Estima-se que uma parcela significativa, especialmente na glândula parótida, apresente baixa radiopacidade, o que limita a detecção por exames radiográficos convencionais.

Exames complementares
Quando a radiografia odontológica não é conclusiva, exames complementares como ultrassonografia e tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) são indicados.
A TCFC permite identificar cálculos com maior precisão espacial, além de avaliar o comprometimento do ducto e do parênquima glandular.
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial dos cálculos s inclui linfonodos calcificados, flebólitos, calcificações distróficas e lesões odontogênicas projetadas sobre áreas anatômicas semelhantes.
A análise criteriosa da localização, forma e relação anatômica da imagem é indispensável.
Tratamento dos cálculos nas glândulas salivares
O tratamento dos cálculos nas glândulas varia de acordo com o tamanho do cálculo, a glândula envolvida e a presença de complicações.
As opções mais comuns são:
Tratamento conservador
Em casos iniciais, com cálculos pequenos, pode-se optar por condutas conservadoras, como:
- Hidratação adequada;
- Estímulo salivar com sialogogos;
- Massagem da glândula afetada;
- Analgésicos e anti-inflamatórios.
Essas medidas podem favorecer a eliminação espontânea dos cálculos nas glândulas salivares.
Abordagem cirúrgica
Cálculos maiores ou impactados geralmente requerem tratamento cirúrgico, como sialolitotomia intraoral ou sialendoscopia.
Em situações mais complexas, pode ser necessária a ressecção parcial ou total da glândula, procedimento realizado por cirurgião bucomaxilofacial ou otorrinolaringologista.
O papel do cirurgião-dentista no manejo
O cirurgião-dentista desempenha papel central na identificação precoce dos cálculos nas glândulas salivares, na solicitação adequada de exames radiográficos e no encaminhamento para tratamento especializado.
A interpretação correta dos exames de imagem contribui para decisões clínicas mais seguras e eficazes.
E agora que você já sabe mais sobre os cálculos nas glândulas salivares, continue conosco e leia o nosso artigo sobre os perigos do laudo impreciso para a radiologia odontológica.


